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Alimentos Industrializados

Saiba como bem escolher seu pão integral

By Alimentos Industrializados2 Comments

Depois de muito tempo sem escrever, aqui estou eu de volta! Esses dias postei no Instagram (@nutrirbem.thais) a foto de um pão integral caseiro e algumas pessoas ficaram com algumas dúvidas em relação a ele e a pães integrais industrializados.

Para fazer esse pão eu usei uma daquelas panificadoras. Vocês conhecem? Elas são muito práticas e permitem que os pães que consumimos sejam mais naturais, sem os tantos aditivos alimentares que encontramos na maioria dos pães do mercado. Dá para inventar um monte de receitas (e também seguir as várias que vêm no livrinho junto com a máquina). Eu tenho a minha há pouco tempo e ainda estou descobrindo as várias opções que ela oferece. Mas já estou amando poder ter sempre um pão fresquinho em casa e criar vários tipos diferentes. Mais pra frente faço um post com alguns dos tipos de pães que já fiz.

pão integral caseiro

Meu pão integral caseiro

MAS isso não significa que os pães sempre têm que ser caseiros, e que nunca mais devemos consumir os pães do mercado. A indústria de alimentos existe para ajudar a gente, mas é muito importante saber interpretar os produtos para escolhermos, com consciência, quais alimentos industrializados vamos usar. Então, montei um roteirinho simples e prático para ajudar na escolha dos pães integrais do mercado.

1º passo: lista de ingredientes.

Segundo a legislação brasileira, a lista de ingredientes dos alimentos processados deve ser montada em ordem decrescente. Ou seja, o primeiro ingrediente deve ser aquele de maior volume na receita do produto. Até pouco tempo era comum ver pães de forma vendidos sob o rótulo de integrais, porém tendo a farinha de trigo integral (ou sementes, por exemplo) no fim de sua lista de ingredientes (portanto, em pouquíssima quantidade). Mas graças à maior conscientização da população e à crescente procura por produtos integrais, esse cenário já mudou bastante. Muitas indústrias refizeram suas receitas e formulações, o que eu pude constatar na minha última pesquisa. Analisando os pães integrais disponíveis no mercado, não encontrei nenhum que tivesse mais farinha branca do que integral na lista de ingredientes. Um avanço enorme!

Ainda assim, quando falamos de pão integral, acho importante que não apenas o primeiro ingrediente seja a farinha integral, mas também que o pão não tenha (ou tenha muito pouca) farinha branca. Isso ainda não é fácil de encontrar. Mesmo marcas que têm uma linha extensa de pães integrais não oferecem nenhuma opção totalmente livre de farinha refinada. Apesar de poucas, há algumas opções de pães 100% integrais e essa é sem dúvida a melhor escolha.

É também vantajoso buscar pães que, além da farinha integral, tenham outras fontes de fibra, que incrementam o valor nutricional – e o sabor! Estas outras fontes de fibras podem ser cereais, como aveia, centeio, quinoa e/ou sementes (linhaça, chia, gergelim, girassol).

2º passo: aditivos alimentares

Emulsificantes, conservadores, edulcorantes, melhoradores de farinha, acidulantes… São ingredientes (aditivos) que não colocaríamos em um pão feito em casa. Então quando for buscar por um industrializado, a regra é: quanto menos aditivos alimentares, melhor. Se possível, nenhum.

3º passo: selo

A Whole Grains Council é uma organização internacional que criou selos que identificam produtos integrais. São 3 tipos de selos:

legenda

Em ordem: selo 100%: para produtos feitos com 100% de cereais integrais; selo 50% ou mais: para produtos que têm ao menos 50% de cereais integrais; selo básico: o produto possui boa quantidade de cereais integrais, mas menos de 50%. (Imagem de: http://wholegrainscouncil.org/whole-grain-stamp)

 

Algumas marcas brasileiras têm este selo, é só procurar no verso da embalagem para se certificar de sua presença e tipo.

Enfim, o que eu acho importante é usar a indústria de alimentos ao nosso favor. Claro que o ideal é preparar o máximo de alimentos que pudermos em casa. Mas a realidade mostra que nem sempre isso é possível, então é essencial saber escolher a opção mais recomendada para você dentre as tantas disponíveis no mercado.

Assinatura Thais C. LaraNutricionista

Glutamato monossódico: o que você nunca soube sobre ele…

By Alimentos IndustrializadosNo Comments

Nesta semana estava me preparando para gravar uma matéria para a TV (quem me acompanha no insta @nutrirbem.thais viu!) e um dos temas que falei sobre foi o glutamato monossódico, e só então me dei conta que nunca havia falado sobre ele por aqui!

O que é glutamato monossódico?

O glutamato monossódico (ou GMS) é um dos aditivos alimentares mais consumidos no mundo, frequentemente usado pela indústria de alimentos para acentuar ou realçar sabores. Está normalmente presente em alimentos processados ou industrializados como salgadinhos de pacote, sopas em pó, temperos prontos e pratos congelados.

Como ele atua no nosso corpo?

Glutamato é uma substância naturalmente presente no nosso organismo, nós produzimos e usamos em nossos processos metabólicos. O problema aqui é o glutamato usado pela indústria de alimentos, como realçador de sabor, e principalmente quando consumido em grandes quantidades.

Os realçadores de sabor estimulam receptores específicos na língua, e dão a sensação do alimento ser mais saboroso do que realmente é. Isto permite que a indústria camufle sabores de ingredientes de má qualidade ou que reduza a quantidade de ingredientes “de verdade” ou puros naquele alimento, de forma a deixar o produto mais barato. Por exemplo, em um envelope de canja industrializada, é provável que se tenha pouquíssimo frango, mas com a ajuda dos realçadores de sabor, terá sabor característico de frango na canja. Ou ainda, como nos exemplos abaixo:

glutamato monossódico_batata e sopa

Ou você achou que a carne era o principal ingrediente destes produtos??

Efeitos colaterais

De uma forma geral, o glutamato monossódico é considerado um aditivo alimentar seguro, mas há relatos de pessoas que sentem fortes dores de cabeça, enjoos e outras reações adversas posteriores ao consumo de alimentos com este aditivo. Há estudos que mostraram relação entre o consumo de alimentos com glutamato monossódico e sobrepeso e obesidade, e há duas hipóteses capazes de explicar esta relação:

  • a primeira delas, é que o glutamato deixaria os alimentos mais “saborosos” e por isso as pessoas consumiriam maiores quantidades, justificando o ganho de peso;
  • a segunda hipótese é que pode ser que o glutamato interfira na regulação dos centros cerebrais de fome e apetite, induzindo as pessoas a comerem maiores quantidades de alimentos naquela refeição e em outras seguintes.

Apesar desta relação do consumo de glutamato monossódico e sobrepeso/obesidade ainda não estar muito clara, é válido lembrar que o glutamato está normalmente presente em alimentos altamente industrializados, pouco saudáveis e com baixo valor nutricional, o que pode significar que a presença de glutamato monossódico seja apenas um dos problemas do consumo destes alimentos.

Síndrome do restaurante chinês

sindrome do restaurante chines

O sabor umami do glutamato monossódico é característico dos temperos orientais de restaurantes chineses e japoneses, por isso a série de sintomas associado ao consumo de glutamato é chamada de “síndrome do restaurante chinês”. A relação entre os sintomas e consumo do glutamato monossódico não foi ainda bem esclarecida ou comprovada pela ciência, mas as pessoas que (provavelmente) são mais sensíveis ao glutamato relatam sentir dores no peito ou de cabeça, tonturas, dormência ou queimação em torno da boca, calor, vermelhidão e rubor, e sudorese.

Em suma…

O glutamato monossódico é um aditivo alimentar que faz com que os sabores dos alimentos processados fiquem mais gostosos e é possivelmente o segredo da indústria quando diz “é impossível comer um só”. Além da baixa qualidade nutricional destes produtos, os efeitos do glutamato na saúde não são benéficos, o que faz com que seu consumo seja ainda menos recomendado.

A nutri na TV: quanto tem de açúcar nos alimentos industrializados?

By Alimentos Industrializados, Vida de nutriNo Comments

Na última foi ao ar uma reportagem que gravei para a TV Novo Tempo sobre o consumo de açúcar.

açúcar nos alimentos industrializados

Minha parte foi falar principalmente sobre o açúcar nos alimentos industrializados, que estão “escondidos” e nós às vezes comemos sem saber. Eu fiz a comparação entre 4 alimentos que muitas vezes parecem ser inofensivos, mas que contém sim muito açúcar! Mesmo sabendo que são grandes quantidades, eu sempre me surpreendo quando realmente pego para olhar.

açúcar nos alimentos industrializados_colheres de sopa

Inconformada com o tanto de açúcar no bolinho industrializado, adaptei a receita de bolo integral de banana que já tinha postado aqui por uma outra versão com menos açúcar: substituí metade do açúcar por açúcar mascavo e mel, e a outra metade por purê de maçã (também já falei sobre estas substituições neste post). O resultado final ficou bem gostoso, e com bem menos açúcar do que a versão industrializada (para ver a receita adaptada, clique aqui).

açúcar no bolo caseiro de banana

E vale assistir a reportagem completa, falando sobre o consumo habitual do açúcar, o prazer momentâneo que sentimos e o quanto pode mesmo ser viciante comer um docinho 🙂

 

Passe longe dos refrigerantes zero…

By Alimentos Industrializados, Valor nutricionalOne Comment

Há tempos estou prometendo este post para algumas pessoas e finalmente, chegou a hora dele 🙂

Ainda tem muita gente que usa o refrigerante zero como substituto ao refrigerante comum no intuito de reduzir as calorias consumidas no dia, e então, teoricamente, auxiliar na perda de peso. Então vamos ao comparativo:

Refrigerantes zero

 (Obs: apenas para exemplificação, aqui serão usados a Coca Cola e Guaraná Antártica, mas no geral todas os refrigerantes ou bebidas gaseificadas zero ou light seguem a mesma linha)

Neste contexto, a substituição seria justa – aqui tem um post que fala um pouco mais sobre porque evitar as bebidas açucaradas.

Mas o primeiro ponto, é que, como aqui as calorias não são importantes, e sim os nutrientes. Então, vamos à comparação clássica do valor nutricional dos refrigerantes zero e o temido suco de laranja:

comparação suco de laranja e refrigerantes zero

Apesar de o suco de laranja apresentar valor calórico e os refrigerantes zero não, analise bem a oferta de nutrientes dos três candidatos – o suco de laranja ganha de lavada! E analise também o conteúdo de sódio, muito maior nos refrigerantes.

O segundo ponto contra os refrigerantes zero pede uma análise mais detalhada de sua composição: vamos aos ingredientes!

Coca cola zero: Água gaseificada, extrato de noz de cola, cafeína, aroma natural, corante caramelo IV, acidulante ácido fosfórico, edulcorantes ciclamato de sódio (27mg), acessulfame de potássio (15mg), e aspartame (12mg) por 100ml, conservador benzoato de sódio, regulador de acidez citrato de sódio.

Guaraná zero: Água gaseificada, extrato vegetal de guaraná, aroma natural, conservador: benzoato de sódio, acidulante ácido cítrico, corante caramelo tipo IV, edulcorantes artificiais (mg/100ml), sacarina sódica: 16,0mg e ciclamato de sódio: 69,7mg.

ler rotulo

Ingredientes problema:

#1 Artificiais: nenhum dos ingredientes é natural, o que faz do refrigerante zero não ser uma #comidadeverdade

#2 Adoçantes: ciclamato de sódio, acessulfame de potássio, aspartame ou sacarina sódica e ciclamato de sódio. O consumo excessivo de adoçantes tem se mostrado prejudicial à saúde – prometo um post sobre isso!

#3 Teor de sódio: bastante aumentado nas versões zero justamente pela presença dos adoçantes ciclamato de sódio, conservador benzoato de sódio e regulador de acidez citrato de sódio – na coca cola zero. No Guaraná zero, também o conservador benzoato de sódio e os dois adoçantes usados. Em resumo, o excesso de sódio aqui pode aumentar a retenção hídrica e com isso causar desidratação, além de aumentar os níveis de pressão arterial e celulite (alô, mulherada! O zero também dá, viu?!)

#4 Corante Caramelo IV: os corantes caramelos são uma mistura de vários componentes e são obtidos pelo aquecimento de carboidratos, com ou sem adição de reagentes químicos. Então, de acordo com o processo em que foi produzido, os corantes caramelo são classificados entre I, II, III e IV, e o corante Caramelo IV é principalmente usado no Brasil para conferir cor aos refrigerantes. O problema deste corante é que ele contém altos níveis de uma substância que, quando consumida em excesso, é possivelmente cancerígena. Além disso, a Coca Cola comercializada no Brasil contém maior quantidade desta substância cancerígena do que todas as outras Coca Colas vendidas no mundo!

#5 Ácido fosfórico e fosfatos:  o excesso de fosfatos pode atrapalhar a absorção de cálcio da dieta e, para que haja cálcio livre no sangue, nosso organismo recruta o cálcio dos ossos. Nosso corpo necessita do cálcio não só para a formação de ossos e dentes, mas também por ter um papel importante nas contrações musculares e batimento cardíaco. Desta forma, com a necessidade de retirar o cálcio dos ossos, nosso corpo apresenta maiores chances de osteopenia e osteoporose.

Por fim, a dica aqui é reduzir o consumo e tirá-lo da rotina. Para isso, é importante identificar porque o hábito do refrigerante está lá e tentar revertê-lo para algo mais saudável. O consumo de refrigerantes deve ser eventual, e a dica para minimizar os danos de quando consumir, é sempre tomar bastante água para ajudar a reduzir a retenção hídrica e eliminar os componentes nocivos da fórmula.

brinde com suco

Para o consumo diário, a água pura, aromatizada ou os sucos naturais com certeza são as melhores opções!

Para deixar de vez as bebidas açucaradas…

By Alimentos Industrializados, Boas dicas, Lanches intermediários, Nutrição materno infantil, O que comer fora de casa10 Comments

Esta semana, postei um artigo (este aqui!) falando de alguns malefícios de se consumir bebidas açucaradas e o que faz algumas opções serem tão ruins. Mas depois de tantos argumentos contra, venho hoje dar opções para que vocês possam substituir estas bebidas sem sofrer e ganhando em sabor e saúde! 🙂

# opção 1: água!!

Em atendimento nutricional ao adulto, uma das metas mais difíceis de serem atingidas é o consumo de água! (Veja neste post as necessidades e benefícios do consumo adequado de água). E por isso, um dos melhores incentivos que podemos dar às nossas crianças é tomar água! Criar o hábito de hidratar-se com água, e não com sucos ou outros líquidos… água!!! E outra coisa, minha gente.. Seu filho não precisa levar suco todos os dias para a escola! Habitue-se em enviar na lancheira 1 ou 2x na semana, uma garrafinha de água! Ou uma fruta in natura que tenha alto teor de água, como melão, melancia e laranja!

#opção 2: sucos naturais!

E por sucos naturais, naturais mesmo, eu englobo 3 categorias:

Sucos feitos da fruta mesmo!

Peça ajuda às crianças, estimule-as à escolher e misturar as frutas, e ofereça o suco no lanche da tarde ou após as refeições. Para a correria do dia a dia (ou enviar na lancheira), uma dica muito legal é bater a fruta no liquidificador, sem adicionar água, e congelar em forminhas de gelo! Na hora de consumir, bata com água e adoçe apenas se for necessário. Para levar na lancheira, coloque na garrafinha térmica e peça para a professora colocar água na hora de servir. Fica super prático para o dia a dia, e continua muito saudável!

Polpas:

Em segundo lugar, pois muitas polpas industrializadas têm conservantes, mas ainda dão um banho de saúde nos sucos industrializados. Pode seguir a mesma ideia dos gelinhos de fruta para mandar para a lancheira.

Sucos concentrados:

em terceiro lugar no ranking dos sucos saudáveis, simplesmente por conterem uma boa quantidade de conservantes.. mas ainda assim, não contêm adição de açúcar!!! Então pode sim ser um bom substituto para os sucos industrializados

#opção 3: sucos prontos para consumo que valem a pena:

São poucos sucos, nem sempre fáceis de encontrar, e com certeza as opções mais caras. Não são melhores do que os sucos naturais, mas segue aqui algumas opções que podem ser viáveis para aqueles dias de maior correria… Nenhum deles contém adição de açúcar e a maioria não contém conservantes, ok?

*Xandô*

Suco integral de laranja

*Integral de uva branca ou tinta*

Várias marcas, e é integral mesmo! A adição de água fica por conta de quem for consumir, na hora do preparo!

  

*Suco de maçã Yakult*

Sem conservante, mas com aromatizante

*Green Day 100% ou V+100%*

suco greenday

Difícil de encontrar, mas vale a pena, pois é suco puro mesmo, sem nem adicionar água!!! Disponível em vários sabores, mas cuidado, pois a marca também tem a linha néctar!!

*Smoothie Jasmine*

Sempre mix de polpa de frutas

 *Do Bem*

Apenas o sabor limão contém açúcar. Tem também água de coco e chás!

 

*Fazenda Bela Vista*

 Apenas a opção laranja é natural e integral

 

*Ceres*

É importado, normalmente mais caros do que os nacionais

*Fast fruit  gourmet*

Contém conservantes. Cuidado, pois a marca tem a linha néctar!!

 

*Suvalan*

Mais difícil de encontrar, mas vale a pena! Cuidado, pois a marca também tem a linha néctar!!

Apenas gostaria de deixar claro que este post não tem nada de publicitário, são apenas indicações de produtos que são realmente saudáveis e que eu indico como boas opções.

Espero que fique mais fácil substituir os tão comuns néctares e refrescos por sucos que têm realmente boas quantidades de frutas!!

Fontes de consulta: site do Pão de Açúcar, sites das próprias marcas, blog da nutricionista infantil Karine Durães.

Bebidas açucaradas – por que evitar?

By Alimentos Industrializados, Nutrição materno infantil, Perda de peso, Valor nutricional5 Comments

Alguns já sabem (e os outros já devem ter percebido) que um dos campos que eu mais gosto dentro da nutrição é a nutrição infantil. Além das criancinhas serem liindas, eu acredito que uma das formas que temos de mudar o atual panorama do sobrepeso e obesidade mundial, é ensinando-as a alimentarem-se da forma mais saudável possível, desde cedo. É difícil que uma criança que come bem (entenda, saudável) venha a ter problemas com o peso na fase adulta.

E dentro deste tema tão amplo e complexo, os familiares muitas vezes não entendem porque nós, nutricionistas, insistimos tanto em reduzir o consumo de bebidas industrializadas. Ou mesmo em casos de reeducação alimentar e perda de peso em adultos: por que um simples e inofensivo copo de suco de caixinha pode significar tanto prejuízo na perda de peso final?

Este é o mundo das bebidas açucaradas. Sim, pensar nas bebidas é muito importante dentro de um programa de alimentação saudável. Por muitas vezes, há maior consumo calórico por bebidas do que por alimentos sólidos, geralmente porque  bebidas dão baixa saciedade e induzem ao consumo de grandes volumes – resultando em um grande aporte calórico consumido. As bebidas açucaradas representam boa parte do alto consumo de açúcar por crianças e adolescentes: 33% do consumo de açúcar de americanos vem de refrigerantes e outros 10% de bebidas de frutas. Desta forma, para promover a perda de peso ou frear o ganho de peso, muitas vezes é mais eficaz restringir o consumo de líquidos doces do que sólidos.

bebida açucarada criança

E há ainda mais argumentos! Já vi estudos que relacionam o alto consumo de açúcar com hiperatividade, agressividade, déficit de atenção, depressão, enxaqueca, falta de memória, irritabilidade e alterações de humor… sem mencionar as doenças crônicas como diabetes, hipertensão, alterações de triglicérides e colesterol… a tão falada síndrome metabólica. Não há justificativas, se não erros alimentares, que permitam que crianças ainda tão pequenas apresentem tantos desvios de metabolismo. Começar uma reeducação alimentar em uma criança, muitas vezes significa “apenas” reduzir ou eliminar o consumo de bebidas açucaradas, já que elas representam tanto do seu consumo diário de açúcar.

Mas, enfim, o que são bebidas açucaradas? simples. são aquelas que contêm altas doses de açúcar! Por exemplo:

Néctar de frutas: contém apenas entre 20 e 30% de suco de frutas

145g de açúcares em 1L de néctar = 2 a 3 colheres de sopa de açúcar por copo de 200mL

Refrigerante: se é que contém suco de fruta, não passa de 10%

270g de açúcar em 600mL = 5 a 6 colheres de sopa de açúcar por copo de 200mL

Refrescos: contém entre 1 e 10% de polpa de fruta

pois é, pode ter menos polpa de fruta que o refrigerante!!!

28g de açúcar para 1L de suco = 3 colheres de sopa de açúcar

Achocolatados prontos: 15% de açúcar, muuita gordura e vários conservantes

achocolatado

 

29g de açúcar em 200mL = 2 a 3 colheres de sopa de açúcar

(Imagens: Documentário Muito Além do Peso)

A legislação define que, para ser chamado de suco natural, a bebida precisa ter no mínimo 50% de polpa de fruta. Pra mim, 50% não é suficiente. 50% de suco de fruta dá margem para que os outros 50% sejam qualquer outra coisa, inclusive água com muito açúcar! Suco natural mesmo é só fruta e água – as vezes a fruta é tão doce que nem precisa adoçar!!!

Não pensem que eu só vou dizer o que não pode, sem dar opções melhores e mais saudáveis para substituir. Aguardem, ainda nesta semana, um post inteirinho só com sucos de verdade, bom para a criançada e para todo mundo que se preocupa em não consumir tanto açúcar!!! Mas por enquanto, prestar atenção nos rótulos e tentar reduzir o consumo destas bebidas já pode ajudar…..

Hungry for change

By Alimentos Industrializados, Valor nutricionalNo Comments

Uma das coisas que mais me deixa feliz na atual modinha saudável/fitness é a velocidade de disseminação e abrangência que as informações sobre alimentação saudável. Claro que, como sempre, existem muitas inverdades e extremismos que circulam, como se fossem verdades sedimentadas. Mas existem outras tantas informações verdadeiras e de qualidade que, ainda bem, tomam as mesmas proporções. Uma das minhas grandes recomendações para quem se interessa por alimentação saudável, é assistir o documentário Muito Além do Peso. Ainda que a proposta original tenha sido falar sobre a publicidade para alimentos infantis, o documentário fala de tantas outras coisas, de uma forma tão didática e clara, que eu acho que deveria ser assistido por todas as pessoas que estão minimamente envolvidas com uma alimentação de qualidade. #ficaadica Eu mesma já falei um pouquinho sobre ele neste post – Muito, muito além do peso, no início deste ano.

Mas hoje o assunto é sobre outro documentário. Estes dias resolvi assistir o Hungry For Change, que há muito tempo já estava na minha lista de pendências.  O ponto central do Hungry for Change é falar sobre a composição dos alimentos industrializados, e o que o consumo exagerado destes alimentos (em especial pelas quantidades de açúcar e aditivos alimentares) podem nos causar. E o filme termina com uma mensagem otimista, nos mostrando algumas maneiras de viver de forma mais saudável. Recomendo também para todos, mas em especial para aqueles que adoram um docinho e não abrem mão de consumir com frequência.

Mas ainda que, teoricamente, os dois documentários se proponham a falar sobre temas bastante diferentes, em muitos momentos o Hungy For Change lembrou-me o Muito Além do Peso; a abordagem é igualmente clara e didática e tem até uma parte que é igual, quando ambos reproduzem um trechinho de uma palestra do Jamie Oliver, falando sobre o consumo de açúcar por crianças (que aliás, é também um banho de realidade… Dá para assistir toda a palestra dele neste link)

Recomendo muito que, qualquer pessoa que tenha a intenção de viver de forma saudável, que se interesse pelo tão abrangente tema “alimentação e nutrição” e tenha o mínimo de curiosidade de saber o que está consumindo nos alimentos industrializados, assista os dois documentários. Por fim, a sensação que fiquei ao término do Hungry For Change foi a mesma que fiquei com o documentário anterior:

estão cada vez mais claros os infinitos motivos e argumentos que temos para evitar/abolir/extinguir o consumo de alimentos industrializados e apelar diariamente para os in natura.. Prática alimentar primitiva e natural, que jamais deveríamos ter largado.

Para assistir o Hungry For Change: Parte 1Parte 2 , Parte 3, Parte 4, Parte 5 – e  o site oficial é este aqui

Para assistir o Muito Além do Peso: Site Oficial

Empanados industrializados: 3 motivos para passar longe deles e uma versão caseira!

By Alimentos Industrializados, Receitas7 Comments

Um dos questionamentos mais comuns no consultório é referente aos nuggets/empanados de frango. Muitos se surpreendem quando os alerto sobre a má qualidade deste produto e não recomendo o uso. Então, segue aqui 3 motivos reais (e suficientes) para não consumir mais este tipo de produto!

#1 fritos

Ainda que você tenha o cuidado e a boa intenção de assar os empanados na sua casa, sinto muito, mas o estrago já foi feito ainda na indústria. Sim, pois como parte do processamento do alimento, é necessário que ele passe por uma etapa de fritura para garantir sua boa conservação. O produto deve passar por um curto período de tempo (entre 20 e 35 segundos) mergulhado em óleo sob altas temperaturas para fixar a cobertura de farinha (que caracteriza o empanado), contribuir para sua cor final, e auxiliar na conservação do produto em baixas temperaturas (congelamento) sem causar prejuízos ao sabor, quando for consumido. No entanto, durante este processo, parte do óleo de fritura é absorvido de forma que pode representar entre 10-20% do peso final do produto empanado final.

Outro ponto interessante é que, a qualidade do produto final também depende da qualidade do óleo que foi usado para esta etapa de fritura. Para a industria as gorduras saturadas (aquelas que não são benéficas para a saúde) deixam o produto final com uma melhor apresentação e maior prazo de validade do produto.

#2 lista de ingredientes

Repare na lista de ingredientes. É bem difícil que você encontre nestes produtos algo como “peito de frango” ou “sobrecoxa de frango”. O frango destes filezinhos são sempre uma miscelânea de carne de frango e outros, que podemos entender como partes do frango que você não comeria se soubesse o que são. Muitas pessoas que conheço não comem mais salsicha e lingüiça desde que souberam do que são feitas. Acredite, os empanados de frango não são muito diferentes.

#3 tabela nutricional

Claro que com este monte de coisas adicionadas e altamente processadas, a tabela nutricional não seria das melhores… Em geral, muitas calorias para baixa qualidade nutricional. Muita gordura, em especial a saturada e alguns até com gordura trans (que aumenta o colesterol e risco para doenças cardiovasculares). E como todo produto altamente processado, muitíssimo sódio!

Nuggets de frango tradicional

rotulo nuggets

E aí, você realmente acha que a industria está se preocupando se o empanado que você está comprando faz bem para sua saúde?

A indústria não, mas eu estou! Da série not so fast food, segue aqui uma das receitas que eu mais gosto, e mais um motivo forte para não consumir os empanados industrializados:

Nuggets caseiros de frango ou atum

Muito mais saboroso, saudável e igualmente prático. Receita original da minha colega Giórgia Pfieifer.

Ingredientes

– 250g de frango moído ou desfiado ou atum

– 1 xícara de chá de aveia em flocos

– água

– azeite

– gergelim e um pouco mais de aveia para “empanar”

Modo de fazer:

– Refogue o frango e tempere-o ao seu gosto.

pre preparo1

– Cozinhe a aveia no microondas, com uma quantidade de água que cubra a aveia (o ponto de cozimento é como se fosse uma “papa”).

– Junte o frango já refogado, para formar uma massa. Unte as mãos com um pouco de azeite, e modele os nuggets da forma que quiser.

pre preparo2

– Empane-o na mistura de aveia em flocos + gergelim, e leve-os para assar.

observações:

– se o frango for substituído por atum em óleo, não precisa refogar

– você pode congelar os nuggets antes de assar. Coloque-os em saquinhos plásticos e deixe no freezer. Na hora do preparo, retire-os do freezer, e leve direto ao forno

– para as crianças, use formas em forma de coração, estrela ou carro, por exemplo. Elas adoram!!

Light ou Diet?

By Alimentos Industrializados, Perda de peso2 Comments

Dando continuidade a boa escolha de alimentos, com base nas informações do rótulo, segue aqui um questionamento muito comum.. o que é melhor a versão tradicional do produto, versão light ou versão diet.

A melhor resposta para esta pergunta é: depende! Pois os alimentos diet ou light nem sempre são sinônimos de melhores escolhas.

Para um alimento ser considerado diet significa que algum nutriente foi excluído de sua composição. Pode ser açúcar (caracterizando então um produto destinado a pessoas com diabetes), mas pode também ser sódio, gordura, colesterol…. qualquer coisa. Os alimentos light são aqueles que têm ao menos 25% a menos de alguma coisa, comparado à sua versão original. Da mesma forma, pode ser açúcar, gordura, sódio ou colesterol, bem como calorias.. Mas neste caso, significa apenas que o produto contém 25% a menos, e não que é isento!

Então, um chocolate diet, por exemplo, nem sempre é a melhor escolha para quem não é diabético. Precisamos pensar que, na retirada de um ingrediente, outra coisa precisa entrar no lugar. Eu selecionei o rótulo de dois chocolates, da mesma marca e versão, sendo um diet e um comum. Neste caso, a versão diet é sem açúcar, e no lugar dela, foram adicionadas gorduras.

Veja os valores nutricionais dos dois chocolates:

Apesar do chocolate comum ter um maior valor calórico, os mesmos 30g de chocolate diet tem mais de 1g a mais de gordura!! E o rótulo mesmo diz, na ultima linha, que “este não é um alimento com valor energético reduzido”. Ou seja, fica bem claro que, com exceção das pessoas com diabetes, em termos de valores nutricionais, não vale a pena consumir o chocolate diet!

Mais uma vez, a atenção ao rótulo pode fazer toda a diferença na hora de escolher o alimento!!